18.4.11

gestação

Ainda não cheguei a uma conclusão a respeito, mas a coisa é mais ou menos assim:

A crase não se explica na expressão "dar à luz" com a fórmula dar algo a alguém
porque fica tudo invertido. Afinal, a ordem dos fatores conforme o acontecimento
é dar alguém a algo. Tampouco podemos provar qualquer coisa em função da "luz".
Mesmo porque, do jeito que o mundo gira, talvez fosse mais adequado dizer que
fulana "deu à escuridão", não? E, que importa o verbo "dar"? Seria reduzir o
começo do sonho de alguns a uma expressão que o tornaria banal.

O que deve fazer toda a diferença é o acento grave.
O dito cujo, nesse caso, parece autoexplicativo.

17.4.11

boa noite

Para mí, por ejemplo, estar de espaldas me parece comodísimo. todo el cuerpo se apoya en el colchón o en las baldosas del patio, uno siente los talones, las pantorrillas, los muslos, las nalgas, el lomo, las paletas, los brazos y la nuca que se reparten el peso del cuerpo y lo difunden, por decir así, en el suelo, lo acercan tan bien y tan naturalmente a esa superficie que nos atrae vorazmente y parecería querer tragarnos. Es curioso que a mí estar de espaldas me resulte la posición más natural, y a veces sospecho que mi tía le tiene horror por eso. Yo la encuentro perfecta, y creo que en el fondo es la más cómoda. Sí, he dicho bien: en el fondo, bien en el fondo, de espaldas. Hasta me da un poco de miedo, algo que no consigo explicar. Cómo me gustaría ser como ella, y cómo no puedo.
fragmento de "Tía explicada o no"
Historia de cronopios y de famas

12.4.11

últimas palabras sobre Realengo

Assisti há pouco trecho da fala de um deputado na TV Câmara. Ele discursava com indignação sobre comunidades em redes sociais que apoiavam a atitude do atirador de Realengo. A mídia deu ao ocorrido o tratamento esperado. Recebi uma mensagem que mencionava entrevista publicada neste domingo no Estadão. Fico com este trecho, apesar de cair em contradição. Descansem em paz.

Christian Carvalho Cruz - Que relação as crianças sobreviventes terão com a instituição escola depois de sofrer um trauma desse tamanho lá dentro?
Julio Groppa Aquino - Prospecções dessa natureza me parecem sempre inócuas e, por isso, fadadas ao fracasso. Mais ainda, no fito de antever efeitos, elas podem causá-los ou intensificá-los. Há, por exemplo, um sensacionalismo injustificável da mídia na cobertura do evento ao entrevistar os jovens envolvidos de uma maneira que beira a irresponsabilidade, convertendo todos, eles e nós, em reféns da espetacularização. O momento exige sobriedade e certo distanciamento, à moda dos antigos, de modo que seja possível decantar as informações, e não ser assediado por elas. Se quisermos honrar os mortos de fato, precisaremos mais do que alguns minutos de silêncio. Precisaremos nos aquietar.

errare humanum est

9.4.11